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  • No mundo de Laura

Ser casa de si

Por muito tempo não me reconheci. Não entendia esse espaço que minha alma habitava e que eu chamava de corpo. Me sentia frágil, como nos disseram que as mulheres são, como nos disseram que deveríamos nos manter. Sendo objetificadas por fora, ouvindo o que não queremos, vendo essa exploração dos nossos corpos, dia após dia, vamos internalizando essa noção que nos prende a uma imagem, reduzidas a tão pouco.


Com isso fiquei, tantas vezes, alheia a mim mesma, separada do que era meu ser inteiro. Eu não queria ser essa imagem, não queria ser o objeto com a função de agradar. Senti raiva deles e passei, também, a sentir raiva de mim. Passei a descontar frustrações, ansiedades, tristezas naquela imagem que eu via no espelho, distorcida completamente, apontando cada detalhe de imperfeição que eu criava. Imperfeita: meu maior defeito, minha maior culpa. Nunca era o suficiente. Me desabitei e passei a estar no meu corpo sem sentir, sem saber, sem me ouvir.


E então a vida me uniu com o Yoga e ele me guiou de volta pra casa. A meditação trouxe reencontros com partes de mim que eu abafei por tanto tempo. A prática física fez eu me enxergar de novo, mas, dessa vez, com um olhar amoroso, admirado, contemplativo. Recuperar a consciência de cada linha do meu corpo me permitiu reconstruir uma relação íntima, cúmplice, dedicada comigo mesma. Relação de respeito e de alegria por ser, por respirar, só por estar viva no aqui e no agora. Com o tempo, a força que sentia crescer no físico, passou a se manifestar também na alma, a fragilidade se dissipou. E a gente voltou a se pertencer, corpo-mente-alma apaixonados, completos em si.


Senti as emoções escorrerem por dentro e por fora, em riso, choro, aconchego, energia, do centro do peito à ponta dos dedos. Que felicidade ser inteira contigo. Que lindo te reabitar, te ouvir, vibrar vida contigo. Perdão por ter te restringido por todos esses anos, te rejeitado. Obrigada por toda cura e pelas lágrimas de alegria.


A gente é uma só de novo, e eu prometo que nunca mais vou embora.


Escrito de 25 de julho de 2019.




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